Estão na Madeira e em Portugal continental. As viagens e as alterações climáticas ajudam a disseminá-los e é preciso vigiar para travar a sua instalação em novos locais.
Podem vir num pneu ensopado ou instalados dentro de um avião. Em Portugal, já foram encontrados em latas, sacos de plástico, vasos de flores em locais públicos e até numa pia de água benta numa igreja.
Ajudados pelas alterações climáticas, os mosquitos do género Aedes, que transmitem doenças virais, estão a conquistar novos territórios. Já existe uma rede de vigilância ativa para detetar a sua presença. Eventualmente, se encontrar um mosquito que lhe pareça mais estranho, pode enviar a fotografia, e mesmo o corpo morto do insecto, para a morada do projeto Mosquito Web.
A Europa deve preparar-se para ter surtos de doenças virais transmitidas por mosquitos durante o Verão, como Dengue, Zika e Chikungunya, alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS) recentemente. “Com as alterações climáticas, a área destas doenças tem crescido, em latitude e altitude”, disse, numa conferência de imprensa, Diana Rojas Alvarez, especialista da OMS nestas três doenças virais.
Em Portugal, qual é o risco?
Na origem deste alerta está a expansão até à Europa de duas espécies invasoras de mosquitos do mesmo género, Aedes aegypti e Aedes albopictus. Todavia, estes mosquitos são vectores de doenças como Dengue, Zika e Chikungunya, cuja incidência aumentou nas últimas décadas.
Contudo, é nas Américas que as doenças transmitidas por estes mosquitos fazem mais vítimas. “O que estamos a ver agora na América do Sul pode ser uma antevisão do que se vai passar na parte Norte”, salientou Diana Rojas Alvarez. Entretanto, a OMS está a lançar este alerta “para que os países detetem de forma precoce a introdução destes vírus”.
Como detetar os vírus?
Primeiramente é necessário vigiar os mosquitos. “Estes processos de espécies invasoras têm dois momentos: a introdução, quando o mosquito chega; e depois se ele se instala”, explicou Carla Sousa, investigadora da Unidade de Parasitologia Médica no Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT-NOVA), em Lisboa.
Contudo é importante detetarmos precocemente a presença do mosquito. “Se não tiver passado um Inverno, ou seja, se não se tiver já instalado nessa região, há a possibilidade de impedir essa população de se estabelecer nessa localidade.”
Na Europa, o mosquito Aedes, está estabelecido em 24 países, e desde 2010 que se registaram surtos de Dengue ou Chikungunya, diz a OMS. Contudo a nível mundial, das três doenças mencionadas no alerta, é a Dengue que mais se expande: de 505.430 casos em 2000, passou para 5,2 milhões em 2022. Atualmente, até ao fim de Março, registaram-se 441.898 casos e 119 mortes.
Fonte: PÚBLICO